Você Sabia Que O Brasil Já Passou Por Uma Hiperinflação?

“Inflação” é um termo que te assusta toda vez que aparece nos jornais? Então você vai ficar ainda mais espantado ao saber que existe a possibilidade de uma hiperinflação. Isso mesmo! A situação sempre pode piorar e o Brasil sabe bem disso, porque já enfrentou um episódio desse.

A boa notícia é que casos desse tipo são bem incomuns de acontecer. Então não precisa ficar tão preocupado com isso agora. 

Neste artigo, entenda melhor o que é hiperinflação, quais são as suas principais causas e consequências e veja quando e porque isso aconteceu no Brasil. 

O que é hiperinflação?

Uma hiperinflação nada mais é do que uma inflação muito elevada, acima dos níveis considerados normais. É um consenso entre os economistas que esse é o caso quando os índices passam de 50%.

Por motivos óbvios, a hiperinflação é péssima para a economia. Em um cenário como esse, os preços são elevados quase que de maneira descontrolada — aumentando, às vezes, em questões de horas. 

Isso diminui muito o poder de compra dos consumidores — uma vez que os salários não acompanham a subida — e desvaloriza a moeda nacional — porque já não é possível fazer a mesma quantidade de compras com o mesmo valor. A longo prazo, é desencadeada uma recessão (retração do PIB).

Existem várias causas que podem levar a uma hiperinflação, mas, geralmente, elas estão ligadas com alguma questão política ou social. Alguns exemplos são:

  • os produtores em geral começam a temer uma desvalorização do dinheiro e acabam aumentando os preços para garantir o lucro antes da crise;
  • o governo emite mais dinheiro (oferta) do que está em circulação (demanda), causando um desequilíbrio monetário e, consequentemente, desvalorizando a moeda;
  • há um excesso de liberação de crédito, o que deixa o mercado cheio de dinheiro circulando, mas não representa que a população está enriquecendo de fato;
  • a população começa a fazer estocagem de mercadorias, que começam a faltar nas prateleiras. 

Esses são só alguns casos, mas podem existir outros ou até a combinação de todos esses fatores — que foi basicamente o que aconteceu no Brasil.

Hiperinflação no Brasil

Entre os anos de 1980 e 1994, o Brasil enfrentou alguns casos de hiperinflação. O pior episódio foi em março de 1990, quando o índice atingiu 80%. 

As pessoas mais velhas com certeza lembram de como era. Os preços oscilavam ao longo do dia e era necessário correr ao mercado assim que recebesse o salário para não correr o risco de desvalorização.

De modo geral, em um ranking mundial, o Brasil não está entre os piores casos de hiperinflação. Entretanto a gente tem o nosso recorde pessoal de nação que ficou por mais tempo nessa situação! Dá para acreditar que chegamos nisso?

Causas da hiperinflação no Brasil

A hiperinflação no Brasil teve um conjunto de causas bem particular. Foi essa combinação de fatores que fizeram os anos 80 serem apelidados de “década perdida”. Os principais motivos para a crise foram:

  • descontrole de gastos públicos;
  • dívidas externas e internas elevadas;
  • crise internacional, principalmente por conta do petróleo;
  • planos econômicos mal sucedidos.

A seguir, eu vou te dar um overview histórico bem rápido do que aconteceu nesse período e você vai entender o que levou a isso tudo.

História do Brasil – Década de 70 a 90

A hiperinflação no Brasil foi herança de péssimas decisões tomadas na década de 70 — que perduraram por mais de 20 anos —, durante o Regime Militar. Esse período foi marcado pela realização de projetos estruturais e arquitetônicos faraônicos, mas o governo brasileiro não tinha como pagar por isso. 

Essas obras, e até o crescimento econômico acelerado, foi financiado por empréstimos feitos no exterior, o que gerou um endividamento externo. Em paralelo, veio a crise do petróleo. 

A valorização repentina do líquido preto fez com que o custo de importações ficasse mais alto. Isso gerou um desequilíbrio na balança comercial brasileira, pois o país estava exportando menos e importando mais. A dívida externa se agravou. 

Para tentar reverter o quadro, o governo emitiu mais notas. Resultado? Desvalorização da moeda, o que piorou a situação da dívida. Na tentativa de reverter esse quadro, nos anos 80, o governo emitiu títulos públicos com juros e liquidez muito altos — como forma de arrecadar dinheiro para quitar os gastos. 

O plano foi por água abaixo, porque os juros acompanharam a inflação e aumentaram muito. Conclusão? Foi necessário emitir mais notas e a desvalorização seguia. 

Ao final da década de 80 até meados da década de 90, houveram várias tentativas de acabar com esse caos. Dentre elas, mudanças de moedas (Plano Cruzado, Plano Collor e Plano Real) e congelamento de salários e preços. 

As coisas só voltaram ao normal depois do plano Real. 

Viu como entrar em uma hiperinflação não é comum? Mas sair dela é ainda mais difícil, não é?

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