“Quem ferrou o Brasil foram os economistas”

“Quem ferrou o Brasil foram os economistas”, diz Bolsonaro

Poucas vezes eu concordo com o Presidente Eleito. Mas, dessa vez, tenho de concordar.

É público e notório que o Brasil vive (ainda) uma crise sem precedentes. Apesar de, nesse momento, termos taxas de juros baixas e inflação sob controle, ainda existem milhões de desempregados no país.

A culpa dessa crise é sim dos economistas. Mas não de suas decisões do passado, e sim da capacidade de comunicação deles (e minha também).

Deixa eu explicar isso de um jeito mais simples.

Os médicos e nutricionistas foram muito competentes ao comunicar que açúcar em excesso provoca diabetes e obesidade. Qualquer indivíduo sabe que o cigarro e álcool são prejudiciais á saúde. Apesar de termos muitos consumidores dessas drogas, ninguém é inocente. Todo mundo sabe que faz mal.

Ninguém tem dúvidas sobre esses assuntos. Ou seja, os médicos souberam se comunicar com toda a sociedade.

Drauzio Varella - T2 Educação

Dráuzio Varella é um ótimo exemplo de médico que soube se comunicar com a sociedade.


Agora vamos falar dos economistas?

Você liga a TV no Jornal Nacional. Entra aquele cara de terninho, rosto sério, e começa um papo de superávit primário, déficit primário, despesas correntes, Lei Orçamentária Anual, taxa de câmbio, Selic, IPCA, pedalada fiscal, PIB e PIB per capita… Ninguém entende nada.

Parece um papo chato. Conversa de senhores que gostam de ostentar uma coleção de livros em suas entrevistas. E a você resta abrir o grupo de família do ZAP e ignorar aquela pessoa falando.

O fato é: embora o Brasil tenha excelentes Economistas, eles falharam em comunicar a ECONOMIA com a sociedade.

Por isso a gente vê, com muita frequência, uma parcela significativa da sociedade brigando por seus direitos mas sem se preocupar, por exemplo, de onde vem o dinheiro que financiará esse direito.

Por isso a gente vê, por exemplo, pessoas pedindo para o governo controlar o preço de bens de consumo sem se preocupar com a conta que, mais cedo ou mais tarde, chega. E quando chega, meu caro, vem com força.

“O Dólar subiu? Tudo bem. Quem tem de se preocupar com a alta do dólar é o coxinha que vai pra Disney”.

Não, claro que não. Quando o dólar dispara, quem mais sofre não é a classe média, (embora essa também sinta). Quem mais sofre é justamente o mais pobre.

“Ah, o PIB cresceu! E eu com isso? Pobre não come PIB”.

Percebe que a falha dos economistas não foi, necessariamente, terem sido economistas? A maior falha foi em manter um discurso que não conecta com a sociedade.

A periferia do Brasil precisa entender que não existe nenhum “””benefício””” (assim mesmo, com muitas aspas) concedido pelo governo que, antes, não tenha sido surrupiado do próprio trabalhador.

Como a gente costuma dizer: não existe almoço grátis.

Mesa mágica que faz crescer comida, só no Harry Potter.


“Ah, o governo tem de garantir SAÚDE, SEGURANÇA, EDUCAÇÃO, MOBILIDADE URBANA, INFRA ESTRUTURA, PESQUISA”

Sim, eu concordo que o Governo tem de exercer um papel central para oferecer igualdade de oportunidades a todos. Mas exigir tantos direitos sem se preocupar com a conta que chega é, no mínimo, falta de conhecimento de economia básica.

Enquanto a sociedade seguir acreditando que é possível tratar como infinitos os bens escassos, teremos esse problema de crise.

Por isso, os economistas falharam. Falharam em comunicar o que, de fato, é economia.

Nós não precisamos mais falar ou ouvir sobre a economia das academias, cheia de frufrus.

Precisamos da economia do povo.

Tiago Feitosa
Tiago Feitosa

Graduado em Matemática e pós graduado em negócios bancários pela FAAP. Possui as certificações CPA10, CPA20, CEA e AAI, além disso é Consultor de Valores Mobiliários credenciado na CVM. Se dedica a ajudar cada vez mais pessoas a se capacitarem profissionalmente.

Compartilhe!

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no email
guest
2 Comentários
William
William
2

É, os economistas têm sua parcela de culpa, mas gostaria de saber com relação a crise se está alavancada ou atrelada à injeção de dinheiro na economia. Pois não entendo muito, mas acho que quando muitas pessoas tem muito e subsequente consome o mercado através de compras ; o mesmo criar inflação neste cenário, certo? E diante disso há desvalorização do real frente ao dólar e acarreta também perco ou (ganho supérfluo) em vista do que se teria ao não injetar dinheiro na sociedade de qualquer forma ?

Luis Spadoni
Luis Spadoni
2

Prezado Tiago.

Apesar de discordar de que a culpa é dos economistas!!! uma frase demagógica….pois a culpa é compartilhada….ou seja; alguns economistas tiveram alguma culpa sobre a elaboração e/ou execução das politicas A, B, C etc…. mas, todavia concordo 100% contigo que NÓS os Economistas falhamos em traduzir de forma mais didática o pesado jargão do “economês”….Oxalá outros economistas e cidadãos também façam esta reflexão, externalizando suas crítica, como fizestes tão bem.Grande Abraço!! Luís Spadoni.

Você também pode se interessar por

COMPARTILHE!

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram